Anna Santos
Outubro de 2026 marca uma nova etapa da implementação da Declaração de Regimes Específicos (DeRE).
A partir de 1º de outubro, o ambiente da declaração passa a receber os primeiros eventos de tabela dos contribuintes obrigados: o D-1001 – Informações do Contribuinte e o D-1011 – Plano Geral de Contas Comentado (PGCC).
Atenção: 01 de outubro de 2026 não é o prazo final para entregar a DeRE. A data marca o início da recepção desses eventos estruturantes. A primeira escrituração periódica, referente à competência outubro, deverá ser entregue até 15 de novembro de 2026.
Para o escritório contábil, portanto, o momento é de preparação. A pergunta não é apenas o que é a DeRE, mas o que precisa estar pronto para que a primeira transmissão aconteça sem deixar problemas para a última hora.
Continue a leitura para saber mais sobre como será a entrega desta declaração.
DeRE: o que muda a partir de outubro de 2026?
A DeRE foi criada para reunir informações relacionadas à apuração do IBS e da CBS para contribuintes submetidos a determinados regimes específicos da Reforma Tributária.
Sua implementação acontece em etapas. A primeira começa em outubro, com os eventos de tabela. Depois, entram os eventos periódicos referentes à escrituração mensal.
Etapa | O que acontece | Data |
1 | Recepção dos eventos D-1001 e D-1011 | 01/10/2026 |
2 | Primeira escrituração periódica, competência outubro | Até 15/11/2026 |
3 | Entrada de outros eventos previstos na documentação | A partir de 01/01/2027 |
Por isso, outubro deve ser visto como o início de uma nova rotina de preparação e transmissão, e não como um único prazo a cumprir.
Quem precisa entregar a DeRE?
A DeRE não é uma obrigação universal para todas as empresas. Ela é destinada aos contribuintes sujeitos aos regimes específicos previstos na Reforma Tributária, incluindo prestadores de serviços financeiros, operadores de planos de assistência à saúde e entidades que exploram concursos de prognósticos, conforme as regras de enquadramento.
Como a implementação da declaração acontece de forma gradual e sua documentação técnica passa por atualizações, o enquadramento dos clientes precisa fazer parte do acompanhamento contínuo do escritório.
Antes de iniciar a preparação dos eventos, é importante verificar quais empresas da carteira estão sujeitas à obrigação e se houve alguma mudança nas regras que possa alterar esse cenário.
Para isso, vale manter como referência os canais oficiais da Receita Federal e do CGIBS, acompanhando novas orientações, atualizações da documentação técnica e eventuais mudanças nas regras de obrigatoriedade e dispensa.
D-1001 e D-1011: o que o contador precisa preparar primeiro?
Os primeiros eventos recebidos pelo ambiente da DeRE são os eventos de tabela.
- O D-1001 reúne as informações do contribuinte.
- Já o D-1011 corresponde ao Plano Geral de Contas Comentado.
A transmissão da DeRE também exige preparação dos sistemas. Os eventos são enviados por meio de API/Web Service, a partir dos sistemas do contribuinte.
Por isso, além da organização das informações contábeis, o escritório deve verificar se os sistemas utilizados estão preparados para gerar e transmitir os eventos exigidos.
Para a rotina do escritório, mais importante do que conhecer cada campo desses eventos é entender a dependência entre eles.
A ordem determinada para transmissão é:
D-1001 → processamento com sucesso →
D-1011 → processamento com sucesso → eventos periódicos
Ou seja, o D-1001 precisa ser processado com sucesso antes do envio do D-1011. Além disso, os eventos periódicos dependem de um D-1011 ativo.
Isso significa que o escritório não deve deixar a transmissão para a última etapa. É preciso considerar também o tempo necessário para acompanhar os retornos, identificar inconsistências e realizar eventuais correções.
Quando será a primeira escrituração mensal da DeRE?
A primeira escrituração periódica será referente à competência outubro de 2026, com prazo de entrega até 15 de novembro.
Entre os principais eventos previstos para essa primeira escrituração estão:
- D-1101 – Balancete Mensal;
- D-1106 – Identificação de Aplicações Financeiras, quando aplicável;
- D-1121 – Relação de Deduções Utilizadas na Apuração;
- D-2101, quando aplicável;
- D-1199 – Fechamento Mensal.
Esses eventos dependem da estruturação realizada anteriormente. Por isso, a preparação dos eventos de tabela deve ser tratada como primeiro passo da escrituração, e não como uma obrigação separada do restante do processo.
Checklist: como preparar o escritório antes da primeira entrega
Para transformar a mudança em uma rotina mais organizada, o escritório pode seguir uma sequência simples:
- Identifique os clientes obrigados
Mapeie a carteira e confirme quais contribuintes estão enquadrados nos regimes específicos alcançados pela DeRE. - Confira as informações cadastrais
Revise os dados dos clientes que serão utilizados na identificação do contribuinte e na escrituração. - Revise o plano de contas
Avalie o plano de contas e o mapeamento necessário para o D-1011. Essa etapa merece ser antecipada, já que o PGCC precisa estar ativo para os eventos periódicos. - Organize os dados necessários
Defina de onde virão as informações exigidas, quem será responsável por disponibilizá-las e como será feita a conferência. Verifique também se os sistemas utilizados estão preparados para gerar e transmitir os eventos da DeRE. - Transmita os eventos de tabela
A partir de 01/10, envie o D-1001 e, após seu processamento com sucesso, o D-1011. - Acompanhe o processamento
Não basta transmitir. É necessário verificar os retornos do ambiente e corrigir eventuais inconsistências. - Prepare a escrituração periódica
Com os eventos de tabela processados e o PGCC ativo, avance para os eventos referentes à competência outubro.
O que acompanhar nos próximos meses?
A preparação não termina com a primeira transmissão. A documentação técnica da DeRE continua evoluindo.
Em setembro de 2026, a Receita Federal publicou a versão 1.2.0 da documentação técnica da DeRE, trazendo novas definições de leiautes e regras de validação, além da evolução dos eventos transacionais.
Por isso, o escritório deve acompanhar as atualizações da documentação, já que novos eventos e regras serão incorporados de forma gradual à obrigação.
- novas versões dos leiautes;
- regras de validação;
- notas orientativas;
- alterações no cronograma;
- novos eventos incorporados à obrigação.
A documentação técnica da DeRE no Portal SPED deve ser a referência para esse acompanhamento.
Preparar antes é melhor do que corrigir depois
A chegada da DeRE exige mais do que conhecer uma nova obrigação. Para o escritório contábil, o principal desafio é organizar a informação antes que ela precise ser transmitida.
Identificar os clientes obrigados, revisar cadastros, estruturar o plano de contas, preparar os dados e acompanhar o processamento são etapas que podem começar antes de outubro.
E há uma diferença importante para manter no calendário: 01 de outubro é o início da recepção dos eventos de tabela; 15 de novembro é o prazo da primeira escrituração periódica, referente à competência outubro.
Quanto mais cedo o escritório transformar essas etapas em processo, menor será a chance de descobrir uma inconsistência justamente quando o prazo estiver chegando.
Na visão da Keevo, acompanhar mudanças como essa também faz parte de uma contabilidade mais preparada para o que vem pela frente.
Por isso, informação atualizada, processos organizados e tecnologia precisam caminhar juntos para que novas exigências sejam incorporadas à rotina do escritório com mais segurança e menos retrabalho.
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