Simples Nacional em 2027: como avaliar o impacto da Reforma Tributária nas empresas

Profissional analisando informações no computador em ambiente de trabalho
escrito por

Anna Santos

A Reforma Tributária sobre o consumo acrescenta uma nova decisão ao planejamento das empresas optantes pelo Simples Nacional

A partir de 2027, será possível manter o recolhimento de IBS e CBS dentro da sistemática do Simples ou optar pela apuração e pelo recolhimento desses dois tributos pelo regime regular.

Essa possibilidade, porém, não deve ser analisada apenas pela comparação de alíquotas. 

A escolha pode produzir efeitos diferentes de acordo com a estrutura de custos da empresa, seus fornecedores, o perfil dos clientes e a participação das operações B2B.

Por isso, entender o impacto da Reforma Tributária exige olhar para a empresa como parte de uma cadeia. 

O que acontece nas compras pode influenciar os créditos; o que acontece nas vendas pode afetar os clientes; e, no meio desse processo, a escolha tributária pode ter reflexos sobre preços, margens e competitividade.

O que muda para o Simples Nacional em 2027?

O Simples Nacional continua existindo com a Reforma Tributária. A mudança está na forma como IBS e CBS poderão ser tratados pelas empresas optantes pelo regime.

De acordo com a Receita Federal, nas regras atualizadas para adequação do Simples Nacional à Reforma Tributária, a empresa poderá continuar recolhendo IBS e CBS dentro do Simples ou optar por apurar e recolher esses dois tributos pelo regime regular, mantendo os demais tributos no Simples Nacional.

Essa diferença é importante porque a decisão não representa, necessariamente, uma saída do Simples Nacional. Trata-se de avaliar qual forma de recolhimento de IBS e CBS é mais adequada à realidade da empresa.

E essa resposta pode variar bastante entre negócios que, à primeira vista, parecem semelhantes.

Uma empresa que vende diretamente ao consumidor final, por exemplo, pode ter uma dinâmica diferente de outra que atende principalmente outras empresas. Da mesma forma, um negócio com uma cadeia extensa de fornecedores pode ter um cenário diferente de outro com poucas aquisições.

É por isso que a análise precisa ir além da alíquota.

Por que a alíquota não conta toda a história?

A primeira reação diante de uma mudança tributária costuma ser comparar quanto será pago em cada cenário. Essa informação é importante, mas não mostra sozinha o impacto econômico da escolha.

No regime regular, IBS e CBS passam a ser apurados dentro de uma lógica de débitos e créditos. Dessa forma, é preciso observar não apenas a tributação incidente sobre as vendas, mas também o que acontece nas aquisições realizadas pela empresa.

É aí que começam a aparecer diferenças entre os negócios.

Uma empresa com grande volume de compras e uma cadeia relevante de fornecedores pode ter uma dinâmica de créditos diferente daquela que possui poucos custos relacionados a aquisições. Da mesma forma, o efeito da escolha pode mudar conforme a empresa vende para consumidores finais ou para outras organizações.

Em outras palavras, duas empresas submetidas à mesma regra podem experimentar impactos econômicos diferentes.

Por isso, a análise de 2027 precisa considerar a operação como um todo, e não apenas a alíquota aplicada sobre a receita.

Créditos, fornecedores e clientes entram na mesma análise

Os créditos de IBS e CBS ajudam a explicar por que a escolha não pode ser feita olhando apenas para o imposto devido.

Ao optar pelo regime regular para esses tributos, a empresa passa a trabalhar com a sistemática própria de apuração do IBS e da CBS. Isso torna relevante entender quais são suas principais aquisições e como elas participam da operação.

A Receita Federal, em suas orientações sobre o Simples Nacional e a Reforma Tributária, apresenta essa possibilidade de o optante pelo Simples recolher IBS e CBS pelo regime regular, mantendo os demais tributos no regime simplificado.

Na prática, alguns fatores precisam ser analisados em conjunto:

Fator

O que observar

Créditos de IBS e CBS

Como as aquisições participam da apuração dos tributos e podem alterar o resultado de cada cenário.

Fornecedores

Perfil, volume e natureza das compras realizadas pela empresa.

Clientes

Participação de consumidores finais e outras empresas na composição das vendas.

Operações B2B

Relevância dos créditos na relação comercial e na cadeia do cliente.

Preço e margem

Possíveis impactos da escolha sobre formação de preços, rentabilidade e competitividade.

O ponto central é que esses fatores não devem ser avaliados separadamente. Eles se relacionam e podem produzir resultados diferentes de acordo com o modelo de negócio.

O fornecedor também faz parte da decisão

A discussão sobre créditos começa, em boa medida, nas aquisições.

Imagine uma empresa que depende de uma rede extensa de fornecedores para funcionar. Seus custos estão diretamente ligados às compras realizadas ao longo da operação. Nesse caso, entender a dinâmica dos créditos pode ser relevante para projetar o impacto do regime regular.

Agora imagine um negócio cuja operação depende pouco de aquisições. A mesma lógica pode produzir um resultado diferente.

Por isso, o escritório contábil precisa conhecer a cadeia de fornecedores antes de recomendar qualquer caminho. Não basta saber quanto a empresa fatura. É preciso entender como ela gasta para gerar esse faturamento.

Esse diagnóstico ajuda a construir uma análise mais próxima da realidade da empresa e evita que a decisão seja baseada apenas em percentuais.

E quem compra da empresa?

Se os fornecedores ajudam a explicar o que acontece na entrada, os clientes ajudam a entender os efeitos na saída.

Esse ponto ganha ainda mais importância nas operações B2B.

Quando uma empresa vende para outra empresa, o tratamento tributário da aquisição pode fazer parte da análise do comprador. A possibilidade de aproveitamento de créditos, conforme as regras aplicáveis, pode entrar na composição econômica da operação e influenciar a percepção de preço.

Isso não significa que toda empresa B2B terá vantagem ao optar pelo regime regular de IBS e CBS. Significa que o perfil do cliente precisa fazer parte da decisão.

Uma empresa que vende quase exclusivamente ao consumidor final está inserida em uma dinâmica diferente daquela que fornece produtos ou serviços para empresas que também participam da cadeia de tributação.

Por isso, analisar apenas a carga tributária do fornecedor pode ser insuficiente. É necessário entender também como a escolha repercute no cliente.

No B2B, a questão tributária pode chegar à negociação

Essa é uma das razões pelas quais a Reforma Tributária pode levar a discussão para além do departamento fiscal.

Em uma operação B2B, a escolha relacionada ao IBS e à CBS pode ter reflexos sobre a formação de preços, a margem e a negociação comercial.

O raciocínio passa a ser:

fornecedor → empresa → cliente.

Se a empresa altera a forma como IBS e CBS são recolhidos, isso pode modificar a dinâmica tributária da operação e, dependendo do caso, a forma como o cliente avalia aquele fornecimento.

Para o escritório contábil, essa visão é importante porque permite sair de uma análise puramente tributária e entender o impacto da decisão sobre o negócio.

A pergunta deixa de ser somente “quanto essa empresa vai recolher?” e passa a ser também “como essa escolha funciona dentro da cadeia em que ela está inserida?”

Como avaliar qual cenário faz mais sentido?

Não existe uma fórmula única para determinar se uma empresa deve permanecer com IBS e CBS dentro do Simples Nacional ou optar pelo regime regular.

A análise começa pela própria operação. É necessário entender faturamento, composição das receitas, estrutura de custos e margem. Depois, entram os fornecedores e as aquisições, para que seja possível projetar a dinâmica dos créditos.

Na sequência, o perfil dos clientes precisa ser considerado. Quanto das vendas é B2B? Os principais compradores são empresas que estão no regime regular? Como a questão dos créditos pode repercutir nessa relação?

Só então faz sentido comparar os cenários.

Essa comparação deve considerar não apenas o valor dos tributos, mas também os efeitos sobre créditos, preços, margens e competitividade. O objetivo não é descobrir uma opção universalmente melhor, mas identificar qual cenário se encaixa melhor na realidade daquele cliente.

Essa é uma mudança importante na atuação do escritório contábil: a análise deixa de ser apenas uma simulação tributária e passa a incorporar elementos da operação e da estratégia do negócio.

O calendário de 2027 exige planejamento

Além da análise econômica, existe uma questão prática: quando a decisão precisa ser tomada?

Para quem pretende recolher IBS e CBS pelo regime regular no primeiro semestre de 2027, a opção deverá ser realizada em setembro de 2026. Segundo a Receita Federal, o prazo para essa opção vai de 1º a 30 de setembro de 2026, com efeitos de janeiro a junho de 2027.

Para o segundo semestre de 2027, haverá uma nova janela de opção, entre 1º e 31 de março de 2027, com efeitos de julho a dezembro. A atualização mais recente da Receita Federal sobre o tema também detalha as regras aplicáveis à opção e à permanência nesse modelo.

Esse calendário reforça que a preparação não deve começar apenas em 2027. Para empresas que precisam decidir sobre o primeiro semestre, a análise já é uma necessidade imediata.

O que o escritório pode fazer agora?

O primeiro passo é transformar a discussão em dados. Em vez de esperar o período de opção para começar a analisar cada cliente, o escritório pode antecipar o levantamento das informações necessárias para construir os cenários.

Isso significa conhecer a estrutura de receitas e custos, mapear fornecedores e aquisições, identificar o perfil dos clientes e entender o peso das operações B2B. Com esses dados, torna-se possível projetar os efeitos da permanência de IBS e CBS no Simples e da opção pelo regime regular.

O resultado mais importante desse trabalho não é necessariamente indicar uma única escolha.

É conseguir explicar ao empresário por que determinado cenário faz mais sentido para sua operação e quais efeitos precisam ser considerados antes da decisão.

Simples Nacional em 2027: informação para apoiar melhores decisões

A Reforma Tributária torna a análise do Simples Nacional mais complexa. Em 2027, a decisão sobre IBS e CBS precisará considerar não apenas alíquotas, mas também créditos, fornecedores, clientes, operações B2B e os impactos na formação de preços.

Nesse cenário, tecnologia e informação estruturada ganham importância na rotina dos escritórios contábeis. 

Ao organizar processos e facilitar o acesso aos dados da operação, a tecnologia ajuda o contador a reduzir o esforço operacional e dedicar mais tempo à análise e à orientação dos clientes.

É esse movimento que a Keevo apoia: transformar tecnologia em estrutura para uma operação contábil mais organizada, eficiente e preparada para decisões cada vez mais estratégicas.

Leia também: Como usar a tecnologia para simplificar a operação e criar novos serviços na Reforma Tributária

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