NR-1 e riscos psicossociais 2026: impactos no DP

escrito por

Iuli Fialho

Depois de meses de muita discussão, notícias e dúvidas, é natural que o assunto sobre a NR-1 e riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais tenha perdido um pouco de espaço no dia a dia. Mas isso não significa que ele deixou de ser importante.

Pelo contrário: a nova redação do capítulo 1.5 da NR-1 entrou em vigor em maio de 2026, incluindo expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no GRO.

E existe mais um ponto que merece atenção: em junho, o STF suspendeu por 90 dias a aplicação de multas e outras sanções relacionadas especificamente a esses dispositivos. Em agosto, o Plenário confirmou a decisão.

Mas calma: suspensão de sanções não significa suspensão da NR-1.

Então, o que isso muda na prática para as empresas? E, principalmente, o que o profissional de DP precisa acompanhar?

Vamos por partes.

O que mudou na NR-1 em 2026? 

A principal mudança está no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, o GRO.

A NR-1 já estabelecia que as empresas deveriam identificar, avaliar e controlar os riscos ocupacionais. Com a nova redação, os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho passaram a ser mencionados expressamente no escopo do GRO.

Na prática, isso significa olhar também para situações relacionadas à organização do trabalho que podem contribuir para o adoecimento dos trabalhadores.

Alguns exemplos citados pelo Ministério do Trabalho incluem:

 

Perigo (fator de risco)

Possível consequência (lesão ou agravo)

Assédio de qualquer natureza no trabalho

Transtorno mental;

Má gestão de mudanças organizacionais

Transtorno mental; DORT

Baixa clareza de papel/função

Transtorno mental;

Baixas recompensas e reconhecimento

Transtorno mental;

Falta de suporte/apoio no trabalho

Transtorno mental;

Baixo controle no trabalho/Falta de autonomia

Transtorno mental; DORT

Baixa justiça organizacional

Transtorno mental;

Eventos violentos ou traumáticos

Transtorno mental;

Baixa demanda no trabalho (subcarga)

Transtorno mental;

Excesso de demandas no trabalho (sobrecarga)

Transtorno mental; DORT

Más relacionamentos no local de trabalho

Transtorno mental;

Trabalho em condições de difícil comunicação

Transtorno mental;

Trabalho remoto e isolado

Transtorno mental; Fadiga

O objetivo não é transformar o DP em responsável por diagnosticar a saúde mental dos trabalhadores. A proposta é identificar e gerenciar fatores presentes no trabalho que podem representar riscos.

Alguns sinais podem mostrar que a equipe está chegando ao limite. Acesse a trilha NR-1 gratuita e baixe o Checlist: 10 indicadores de risco psicossocial.

 

E onde entra o PGR?

O GRO é o processo de gerenciamento dos riscos. Já o PGR é uma das formas de materializar esse gerenciamento.

De acordo com o Ministério do Trabalho, o PGR deve conter, no mínimo, o inventário de riscos ocupacionais e o plano de ação. Ele precisa acompanhar continuamente as atividades da empresa e ser atualizado quando houver mudanças que alterem os riscos existentes.

Com a atualização da NR-1, os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho também precisam ser considerados nesse processo.

E aqui existe um ponto importante para o DP: isso não é uma atividade isolada do RH ou do profissional de SST.

A identificação e o gerenciamento dos riscos exigem integração entre diferentes áreas, porque muitas informações relevantes estão relacionadas à própria organização do trabalho.

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O que o DP precisa acompanhar?

Mesmo que o DP não seja o responsável técnico pela elaboração do PGR, ele pode estar diretamente envolvido no fornecimento e acompanhamento de informações importantes.

Vale ficar atento a pontos como:

  1. Mudanças na organização do trabalho
    Alterações de jornada, processos, estrutura, equipes ou condições de trabalho podem modificar os riscos existentes.
  2. Indicadores e informações internas
    Afastamentos, acidentes, mudanças recorrentes de equipe e outras informações podem ajudar as áreas responsáveis a identificar situações que merecem atenção.
  3. Integração com SST e RH
    O gerenciamento de riscos precisa conversar com as demais práticas de gestão de pessoas e segurança e saúde no trabalho.
  4. Documentação
    O PGR e seus registros precisam acompanhar a realidade da empresa. Não adianta ter um documento atualizado apenas no papel se as condições de trabalho mudaram.
  5. Acompanhamento das mudanças legais
    A NR-1 continua sendo um tema em evolução. Por isso, acompanhar as orientações oficiais é parte importante da rotina.

Veja também como distribuir responsabilidades, engajar líderes e transformar riscos psicossociais em indicadores estratégicos para a empresa na Trilha NR-1.

E a suspensão das multas? A empresa pode esperar?

Em junho de 2026, o STF determinou a suspensão, por 90 dias, da aplicação de multas e outras sanções relacionadas à inclusão dos riscos psicossociais na NR-1. A decisão foi referendada pelo Plenário em agosto.

A medida está relacionada à discussão sobre os critérios e parâmetros para aplicação das sanções.

Mas a própria decisão do STF deixou claro que as diretrizes gerais da NR-1 continuam válidas e devem ser observadas pelos empregadores.

Ou seja: esse período não deve ser encarado como uma pausa para a empresa deixar o assunto para depois.

Na verdade, pode ser uma oportunidade para revisar processos, entender as novas orientações e identificar o que ainda precisa ser ajustado.

O melhor momento para o DP se preparar é agora

A NR-1 e riscos psicossociais não devem ser tratadas como mais uma obrigação que aparece e desaparece conforme o assunto ganha ou perde espaço nas redes sociais.

Os riscos psicossociais passaram a fazer parte expressamente do GRO. E, enquanto o debate sobre critérios de fiscalização e sanções continua, as empresas já podem trabalhar na organização das informações, integração entre áreas e adequação dos seus processos.

Para o DP, o principal recado é simples: não é preciso esperar uma nova fiscalização ou o fim da suspensão para começar a se movimentar.

Acompanhar as mudanças, conversar com RH e SST e manter os processos e documentos alinhados com a realidade da empresa é muito mais seguro do que correr atrás de adequações quando o prazo apertar.

E, em um tema que ainda está evoluindo, informação atualizada faz toda a diferença.

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