Fim da escala 6×1 avança no Senado: o que o RH precisa preparar agora

escrito por

Ana Carolina Diogo

A discussão sobre o fim da escala 6×1 avançou mais uma etapa nesta quarta-feira (2 de setembro de 2026).

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a PEC 221/2019, que prevê a redução da jornada máxima de trabalho para 40 horas semanais e dois dias de repouso semanal remunerado. Com isso, a proposta segue para o Plenário do Senado.

No entanto, isso ainda não significa que a nova regra já esteja valendo. A PEC 221/2019 ainda precisa passar pelas próximas etapas de votação antes de uma eventual promulgação.

Ainda assim, para o RH e o Departamento Pessoal, porém, o avanço da proposta já traz uma oportunidade importante: começar a entender os possíveis impactos e preparar a operação para diferentes cenários.

O que a PEC prevê?

O texto aprovado na CCJ prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial.

Além disso, a proposta também estabelece uma implementação gradual da redução da jornada.

Na Câmara dos Deputados, onde a PEC foi aprovada em dois turnos antes de chegar ao Senado, o texto já previa jornada de 40 horas semanais, distribuída em cinco dias, com dois dias de descanso.

Como seria a transição?

A redução da jornada não aconteceria imediatamente de 44 para 40 horas.

De acordo com o texto em tramitação, 60 dias após a promulgação da futura emenda constitucional, a jornada semanal passaria para 42 horas, já com dois dias de repouso semanal remunerado. Depois disso, após 12 meses, a jornada máxima chegaria a 40 horas semanais.

Isso significa que, caso a PEC seja aprovada e promulgada, as empresas terão um período de adaptação para reorganizar jornadas, escalas e processos.

Enquanto a proposta não for aprovada nas etapas seguintes e promulgada, as regras atuais continuam valendo.

O que muda para RH e DP?

Uma eventual redução da jornada pode afetar muito mais do que o número de horas trabalhadas.

Por isso, dependendo da operação, será necessário revisar:

  • Escalas de trabalho;
  • Controle de ponto;
  • Banco de horas;
  • Horas extras;
  • Folha de pagamento;
  • Dimensionamento das equipes;
  • Acordos e convenções coletivas.

Além disso, empresas que funcionam todos os dias da semana ou dependem de escalas contínuas podem precisar de um planejamento ainda mais cuidadoso.

Nesse cenário, o primeiro passo não é escolher uma nova escala. É entender como a jornada funciona hoje.

Por onde começar?

Mesmo com a PEC ainda em tramitação, RH e DP já podem iniciar o diagnóstico.

1. Mapeie as escalas atuais

Levante quantos colaboradores trabalham em escala 6×1, em quais setores e unidades, e quantas horas semanais são cumpridas.

Também identifique quais áreas precisam funcionar continuamente e quais categorias possuem regras específicas em acordos ou convenções coletivas.

Dessa forma, esse levantamento ajuda a mostrar onde uma eventual mudança terá maior impacto.

2. Simule diferentes cenários

Com os dados em mãos, simule como a operação poderia funcionar com dois dias de descanso semanal.

Em algumas empresas, será possível reorganizar as jornadas com a equipe atual. Em outras, pode ser necessário redistribuir turnos, contratar profissionais ou rever horários.

Além disso, a simulação também permite estimar possíveis impactos sobre folha, horas extras e produtividade.

Neste momento, o objetivo não é definir uma nova escala, mas entender as alternativas.

3. Revise banco de horas e DSR

A reorganização da jornada também exige atenção ao Descanso Semanal Remunerado (DSR), banco de horas e demais mecanismos de compensação.

Nesse sentido, os cálculos e regras devem ser avaliados de acordo com a legislação aplicável e os instrumentos coletivos da categoria.

Por isso, essa análise deve envolver RH, DP e, quando necessário, o jurídico.

4. Avalie acordos e convenções coletivas

Nem todas as empresas possuem a mesma realidade operacional.

Setores que funcionam continuamente ou categorias submetidas a regras específicas precisam avaliar como uma eventual mudança poderá afetar os instrumentos coletivos existentes.

O texto em tramitação preserva a possibilidade de acordos e convenções coletivas para regimes diferenciados, incluindo situações como a escala 12×36 e atividades essenciais.

Nesse contexto, o diálogo com o sindicato também pode fazer parte desse planejamento.

5. Verifique os sistemas utilizados pelo DP

Uma nova organização das jornadas também pode exigir ajustes nos sistemas de controle de ponto, folha, banco de horas e gestão de escalas.

Por isso, vale verificar antecipadamente se as ferramentas utilizadas pela empresa conseguem acompanhar diferentes jornadas e regras.

6. Prepare a comunicação interna

A discussão sobre o fim da escala 6×1 já chegou aos trabalhadores. Por isso, dúvidas podem surgir mesmo antes de qualquer mudança prática.

O RH pode se preparar para explicar:

  • O que foi aprovado até agora;
  • O que ainda depende do Senado;
  • Quais são os próximos passos;
  • Quando uma eventual mudança poderá entrar em vigor;
  • Como a empresa está acompanhando o tema.

Acima de tudo, o principal cuidado é não comunicar como definitiva uma alteração que ainda está em tramitação.

Quanto a mudança pode custar?

O impacto financeiro dependerá da realidade de cada empresa.

Número de funcionários, quantidade de profissionais em escala 6×1, necessidade de novas contratações, reorganização dos turnos, horas extras e produtividade são alguns dos fatores que podem influenciar esse cálculo.

Por isso, mais do que olhar para estimativas gerais, o RH precisa entender o impacto dentro da própria operação.

A pergunta passa a ser:

Quanto uma mudança de jornada poderia representar para a minha empresa?

A resposta começa pelo diagnóstico.

O que a discussão revela sobre o DP?

A tramitação da PEC mostra como mudanças na legislação podem impactar diretamente a rotina do Departamento Pessoal.

Quando a área possui processos organizados, informações confiáveis e uma visão clara da própria operação, fica mais fácil identificar impactos, simular cenários e tomar decisões.

Mas, afinal, como está o nível de maturidade do DP brasileiro hoje?

É justamente essa realidade que o Índice de Maturidade do DP/RH Brasileiro 2026, realizado pela Keevo, busca entender.

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