Indicador financeiro: quais KPIs acompanhar no último trimestre

escrito por

Carolina Vianna

O último trimestre do ano concentra decisões importantes para as empresas. É o momento de avaliar os resultados alcançados, acompanhar o caixa, revisar gastos e começar o planejamento do próximo exercício.

Nesse processo, olhar apenas para o faturamento pode gerar uma visão limitada do negócio. Uma empresa pode vender mais e, ainda assim, enfrentar dificuldades de caixa, aumento da inadimplência ou redução das margens.

Por isso, acompanhar cada indicador financeiro relevante ajuda a identificar riscos, avaliar o desempenho do negócio e tomar decisões antes do encerramento do ano.

A seguir, conheça os principais indicadores para essa análise e entenda o que cada um pode revelar sobre a situação financeira da empresa

O que é um indicador financeiro?

Um indicador financeiro é uma métrica utilizada para avaliar o desempenho ou a situação financeira da empresa. Margem líquida, inadimplência e liquidez são alguns exemplos.

Já um KPI (Key Performance Indicator) é um indicador vinculado a um objetivo relevante para o negócio. Por exemplo, se a empresa pretende reduzir atrasos nos pagamentos, o índice de inadimplência pode se tornar um KPI.

Essa distinção é importante: faturamento, contas a pagar e contas a receber fornecem dados para a gestão, mas não são automaticamente KPIs.

Quais indicadores financeiros acompanhar no último trimestre?

A escolha dos KPIs depende das características e dos objetivos de cada empresa. No último trimestre, porém, alguns indicadores ajudam especialmente a avaliar o desempenho do ano e antecipar necessidades financeiras.

Saldo projetado

O saldo projetado indica a estimativa de recursos disponíveis em um período futuro a partir das entradas e saídas previstas. Para chegar a essa informação, a empresa pode utilizar os dados do fluxo de caixa.

Ele registra as entradas e saídas de recursos e fornece informações que permitem acompanhar diferentes métricas. Entre elas, está o saldo projetado, que ajuda a visualizar se a empresa terá recursos suficientes para cumprir seus compromissos nos próximos períodos.

Segundo a CAIXA, considerar recebimentos, pagamentos e previsões futuras permite antecipar possíveis dificuldades e apoiar decisões relacionadas a despesas, estoques e investimentos.

Na prática, imagine a seguinte projeção para dezembro:

Recebimentos previstos: R$ 120 mil

Pagamentos previstos: R$ 145 mil

Saldo projetado: – R$ 25 mil

O que observar: períodos com previsão de déficit ou redução relevante do saldo.

Que decisão pode apoiar: antecipação de despesas, negociação de prazos, revisão de compras ou avaliação da necessidade de capital.

Margem líquida

A margem líquida indica quanto da receita se transforma em lucro líquido após considerar os custos, despesas e demais componentes do resultado. Por isso, ajuda a avaliar se o crescimento do faturamento também está gerando mais lucro.

Imagine que uma empresa aumente seu faturamento mensal de R$ 200 mil para R$ 240 mil, enquanto sua margem líquida cai de 12% para 9%. Na prática:

Antes: R$ 200 mil × 12% = R$ 24 mil de lucro líquido

Depois: R$ 240 mil × 9% = R$ 21,6 mil de lucro líquido

Ou seja, a empresa faturou R$ 40 mil a mais, mas gerou R$ 2,4 mil a menos de lucro líquido.

O que observar: queda da margem, principalmente quando o faturamento continua crescendo.

Que decisão pode apoiar: revisão de preços, custos, descontos e despesas.

Índice de inadimplência

O saldo de contas a receber mostra quanto a empresa ainda tem para receber. Já o índice de inadimplência ajuda a medir quanto desses valores está em atraso.

Se uma empresa possui R$ 100 mil em contas a receber e R$ 18 mil estão vencidos, por exemplo, 18% dos valores a receber estão em atraso. 

Se R$ 18 mil de um total de R$ 100 mil a receber estão vencidos, o índice de inadimplência é de 18%. Caso esse percentual fosse de 8% alguns meses antes, a evolução sinalizaria um aumento relevante dos atrasos.

O que observar: crescimento do percentual de valores vencidos e sua evolução ao longo dos meses.

Que decisão pode apoiar: revisão das políticas de crédito, condições de pagamento e processos de cobrança.

Liquidez

A liquidez corrente ajuda a avaliar a capacidade da empresa de cumprir suas obrigações de curto prazo. O indicador relaciona o ativo circulante ao passivo circulante.

Por exemplo, se a empresa possui R$ 50 mil em ativo circulante e R$ 70 mil em passivo circulante:

R$ 50 mil ÷ R$ 70 mil = 0,71

Nesse cenário, para cada R$ 1,00 de obrigação de curto prazo, a empresa possui R$ 0,71 em ativos circulantes.

O que observar: redução do índice e capacidade de cobertura das obrigações de curto prazo.

Que decisão pode apoiar: planejamento de caixa, negociação de prazos e revisão da estrutura de curto prazo.

Necessidade de capital de giro

O capital de giro está relacionado aos recursos utilizados para sustentar as operações de curto prazo da empresa. Já a necessidade de capital de giro ajuda a identificar quanto a operação demanda de recursos em função de fatores como estoques e prazos de pagamento e recebimento.

Imagine uma loja que aumenta seu estoque para as vendas de fim de ano. Os fornecedores são pagos em 30 dias, mas os clientes parcelam suas compras em três ou quatro vezes.

Mesmo com boas vendas, existe um intervalo entre o pagamento aos fornecedores e o recebimento das vendas. Quanto maior esse descasamento, maior pode ser a necessidade de recursos para sustentar a operação.

O que observar: aumento da necessidade de recursos provocado por estoques e pelos prazos de pagamento e recebimento.

Que decisão pode apoiar: negociação de prazos, revisão dos níveis de estoque e planejamento da necessidade de capital.

Despesas em relação à receita

Acompanhar as despesas em relação à receita ajuda a identificar quanto do faturamento está sendo consumido pelos gastos da empresa e como essa relação evolui ao longo do tempo.

Imagine, por exemplo, uma empresa que faturava R$ 200 mil por mês e tinha R$ 50 mil em despesas. Nesse cenário, as despesas representavam 25% da receita.

Se o faturamento permanecer em R$ 200 mil, mas as despesas aumentarem para R$ 56 mil, essa relação passa para 28% da receita.

Antes: R$ 50 mil ÷ R$ 200 mil = 25% da receita

Depois: R$ 56 mil ÷ R$ 200 mil = 28% da receita

Mesmo com o faturamento estável, as despesas passaram de 25% para 28% da receita, aumentando sua participação em 3 pontos percentuais.

O que observar: crescimento das despesas em relação à receita e desvios em relação ao orçamento.

Que decisão pode apoiar: revisão de despesas, orçamento e metas para o próximo exercício.

Por que analisar os indicadores financeiros em conjunto?

Nenhum indicador financeiro apresenta sozinho uma visão completa do negócio. Uma empresa pode, por exemplo, aumentar suas vendas e manter uma boa margem, mas enfrentar crescimento da inadimplência e pressão de caixa.

Por isso, cruzar diferentes indicadores ajuda a identificar situações que poderiam passar despercebidas em uma análise isolada e oferece uma base mais completa para as decisões do próximo período.

Como um ERP contribui para acompanhar os indicadores?

A qualidade dos indicadores financeiros depende dos dados utilizados no cálculo. Quando vendas, recebimentos, pagamentos e estoque estão distribuídos entre diferentes controles, consolidar essas informações pode consumir tempo e dificultar análises atualizadas.

Um ERP contribui ao centralizar informações da operação, facilitando o acompanhamento dos indicadores, a comparação entre períodos e a construção de projeções.

No último trimestre, essa visão também oferece uma base mais organizada para decisões sobre orçamento, compras, investimentos e metas do próximo ano.

Indicadores financeiros ajudam a preparar o próximo ano

Acompanhar indicadores financeiros no último trimestre permite avaliar o desempenho do ano e, ao mesmo tempo, antecipar riscos e prioridades para o próximo exercício.

Mais importante do que acompanhar muitos KPIs é selecionar aqueles relacionados aos objetivos da empresa e entender quais decisões cada um pode apoiar. Com dados confiáveis e análises periódicas, o planejamento financeiro deixa de olhar apenas para o passado e passa a oferecer uma base mais consistente para os próximos passos.

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