PEC do fim da escala 6×1 é aprovada no Senado: o que o RH precisa preparar agora

escrito por

Ana Carolina Diogo


O fim da escala 6×1 avançou no Congresso Nacional. Em 14 de outubro de 2026, o Senado aprovou, em dois turnos, a PEC 221/2019, que prevê mudanças na jornada de trabalho. O texto estabelece a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.

A proposta segue para promulgação pelo Congresso Nacional. Até a publicação oficial da emenda constitucional, as novas regras ainda não estão em vigor.

Para o RH e o Departamento Pessoal (DP), esse avanço reforça a importância de acompanhar o tema e avaliar possíveis impactos nas escalas, na folha de pagamento e na organização das equipes.

O que a PEC prevê?

O texto aprovado prevê mudanças na jornada de trabalho e na distribuição dos dias de descanso. Entre os principais pontos estão:

  • Jornada semanal: redução gradual do limite de 44 para 40 horas.
  • Dois dias de descanso remunerado: previsão de uma organização com cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana.
  • Descanso aos domingos: preferência por um dos dias de folga nesse dia.
  • Manutenção dos salários: a redução da jornada não poderá resultar em diminuição salarial.

 

A proposta também prevê condições específicas para determinadas situações. Por isso, a aplicação das novas regras deverá considerar o texto definitivo da emenda e o enquadramento de cada trabalhador.

Como será a transição?

A mudança será gradual, conforme o cronograma previsto no texto aprovado:

  • Primeira etapa: dois meses após a promulgação, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 42 horas.
  • Segunda etapa: após mais 12 meses, o limite chegará a 40 horas semanais.

 

Os prazos dependem da promulgação e da publicação oficial da emenda. Para acompanhar a situação legislativa, consulte também a atualização da Rádio Senado sobre a aprovação da PEC.

O que muda para RH e DP?

A reorganização da jornada pode afetar diferentes processos, principalmente em empresas que funcionam todos os dias ou dependem de turnos contínuos.

Entre os pontos que merecem atenção estão:

  • Escalas de trabalho e distribuição das folgas;
  • Controle de ponto e banco de horas;
  • Horas extras e descanso semanal remunerado (DSR);
  • Folha de pagamento;
  • Dimensionamento das equipes;
  • Acordos e convenções coletivas.

 

O primeiro passo é entender como a operação funciona hoje e identificar quais áreas podem precisar de ajustes.

Por onde o DP pode começar?

Mesmo antes da entrada em vigor das novas regras, algumas análises ajudam a preparar a empresa para uma eventual reorganização das jornadas.

1. Mapeie as escalas atuais

Identifique quais setores utilizam a escala 6×1, quantos colaboradores são afetados e quais atividades precisam funcionar continuamente. Esse levantamento ajuda a identificar as áreas que exigirão maior atenção.

2. Simule diferentes cenários

Avalie como reorganizar horários, turnos e folgas. Dependendo da operação, pode ser necessário redistribuir profissionais, rever a cobertura dos finais de semana ou avaliar novas contratações.

3. Revise o banco de horas e o DSR

Analise como a mudança pode afetar as compensações, as horas extras e o descanso semanal remunerado. Considere também as regras aplicáveis a cada categoria para evitar inconsistências nos cálculos.

4. Verifique acordos e convenções coletivas

Consulte os instrumentos coletivos vigentes e identifique regras específicas sobre jornada, folgas e compensações. A análise deve considerar as disposições legais aplicáveis e o texto definitivo da emenda.

5. Avalie os sistemas utilizados pelo DP

Verifique se os sistemas de controle de ponto, gestão de escalas e folha de pagamento permitem acompanhar as jornadas praticadas e realizar os cálculos necessários. Processos e informações organizados facilitam a identificação de ajustes e a conferência dos resultados.

6. Prepare a comunicação interna

O RH deve acompanhar as atualizações e esclarecer dúvidas dos colaboradores. Informe o que foi aprovado, quais etapas ainda precisam ser cumpridas e quando a empresa terá condições de comunicar eventuais mudanças nas escalas.

Quanto a mudança pode custar para a empresa?

O impacto financeiro dependerá da estrutura de cada operação. Número de colaboradores, necessidade de cobertura dos turnos, horas extras, possíveis contratações e reorganização das jornadas são alguns dos fatores que podem influenciar os custos.

Para estimar esses efeitos, vale comparar cenários com base nos dados da própria empresa. A análise permite identificar necessidades, avaliar alternativas e apoiar decisões com mais segurança, sem antecipar mudanças antes da confirmação das regras aplicáveis.

Como preparar o DP para as mudanças?

O avanço da discussão sobre o fim da escala 6×1 reforça a importância de manter informações confiáveis, jornadas organizadas e processos bem estruturados.

Para o RH e o DP, acompanhar as mudanças na legislação é apenas uma parte do trabalho. Também é importante encontrar referências, trocar conhecimentos e buscar formas de tornar a rotina mais organizada e eficiente.

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