Anna Santos
A Reforma Tributária já entrou em fase de transição, com a implementação gradual do IBS e da CBS. Para os escritórios contábeis, o desafio deixa de ser reconhecer a mudança e passa a ser estruturar essa adaptação de forma segura, lidando com a convivência entre os modelos tributários e evitando retrabalho.
Com a adoção da tributação no destino, a qualidade das informações passa a impactar diretamente a apuração dos tributos.
Dados cadastrais e parametrizações deixam de ser apenas registros operacionais e passam a influenciar alíquotas, créditos e a conformidade fiscal.
Nesse cenário, a revisão cadastral contábil se torna um dos pilares da preparação para o IBS e a CBS, ajudando a reduzir riscos e dar previsibilidade ao período de transição.
Por que a revisão cadastral é decisiva para evitar erros na apuração do IBS e da CBS
Com a lógica de tributação no destino, informações que antes tinham impacto limitado agora se tornam determinantes para o cálculo correto dos tributos.
O que muda na prática?
✅ A informação correta do município de incidência passa a definir a alíquota aplicável
🔸 Na prestação de serviços, o município onde o serviço foi efetivamente executado
🔸 Na venda de mercadorias, o município onde se finaliza a entrega
✅ Inconsistências nessas informações podem gerar:
🔸 Erros de alíquota do IBS
🔸 Autuações fiscais
🔸 Perda ou glosa de créditos
🔸 Divergências entre compras e vendas
🔸 Retrabalho constante na conferência de notas
Em um ambiente de transição tributária, dados inconsistentes deixam de ser um problema pontual e passam a gerar erros em série, especialmente quando há integração entre sistemas e emissão de documentos.
Revisão cadastral contábil: o que precisa ser atualizado desde já?
Para organizar a revisão cadastral e reduzir retrabalho, o ideal é dividir o processo por blocos de informação, com um protocolo claro de conferência.
1. Cadastros de clientes
🔹 Endereço completo e atualizado
🔹 Regime tributário vigente
🔹 CNAE correto e coerente com a operação
🔹 Dados que impactam a definição do local de tributação
🔎 Atenção: qualquer inconsistência aqui pode gerar aplicação incorreta de alíquotas no IBS e CBS.
2. Cadastros de fornecedores
🔹 Regime tributário confirmado
🔹 Dados suficientes para conferência e apropriação de créditos
🔹 Coerência entre NCM/NBS das compras e a natureza da operação
Fornecedores com dados desatualizados tendem a gerar créditos questionáveis ou desconsiderados, aumentando o risco fiscal do cliente.
3. Produtos e serviços
🔹 Revisão de NCM e NBS
🔹 Classificação alinhada aos novos códigos exigidos pelo IBS e CBS
🔹 Indicação clara de:
🔸 Incidência ou não do Imposto Seletivo (com início previsto em 2027)
🔸 Natureza da operação (bem, serviço ou híbrido)
Esse é um dos pontos mais sensíveis da Reforma, pois classificações incorretas impactam diretamente alíquota, crédito e obrigações acessórias.
4. Estabelecimentos (matriz e filiais)
🔹 Configuração correta de matriz e filiais
🔹 Código do município validado
🔹 Familiaridade com CNPJ alfanumérico para novas empresas (com início previsto para julho de 2026)
Com a tributação no destino, qualquer erro na identificação do estabelecimento pode comprometer toda a apuração.
5. Sistemas fiscais e contábeis
🔹 Parametrizações fiscais revisadas
🔹 Integrações funcionando corretamente (ERP, fiscal, emissão de notas)
🔹 Alertas automáticos para inconsistências cadastrais e fiscais
Nesse ponto, ter um sistema que acompanha as mudanças e facilita ajustes passa a ser um dos maiores aliados do contador durante a transição.
Os principais riscos de não antecipar a revisão cadastral para o IBS e a CBS
A falta de revisão cadastral no início da transição pode resultar em:
🔸 Aplicação incorreta de alíquotas do IBS e CBS
🔸 Autuações fiscais evitáveis
🔸 Créditos desconsiderados por erro de cadastro
🔸 Reprocessamento constante de notas fiscais
🔸 Erros em escala causados por integrações mal configuradas
Na prática, o custo do retrabalho tende a ser maior do que o esforço de revisão preventiva.
O papel consultivo do contador na Reforma Tributária
Diante da revisão cadastral e da nova lógica de tributação no destino, o contador assume um papel ainda mais estratégico. Cabe ao escritório:
✅ Orientar clientes sobre a importância da atualização cadastral
✅ Criar protocolos de conferência periódica
✅ Antecipar dúvidas sobre tributação no destino
✅ Organizar processos internos para reduzir riscos fiscais
Mais do que executar, o contador passa a atuar de forma preventiva, protegendo o cliente antes que inconsistências cheguem à fiscalização.
Dados e tecnologia como base da transição tributária
A transição para o IBS e a CBS começa pela confiabilidade dos dados e pela consistência das parametrizações fiscais.
Quando cadastros, classificações e sistemas estão alinhados, o escritório reduz riscos, evita retrabalho e ganha previsibilidade na apuração dos tributos ao longo do período de transição.
Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser apenas suporte operacional e passa a atuar como aliada na validação de informações, na integração entre cadastro, fiscal e emissão de documentos e na prevenção de inconsistências que podem gerar erros em série.
A Keevo acompanha de perto as mudanças trazidas pela Reforma Tributária, atualizando funcionalidades e parametrizações para apoiar os escritórios contábeis em uma transição mais segura, organizada e sustentável.
Leia também: Reforma Tributária: o que é, mudanças propostas e seus impactos no Brasil.